O presente mapa foi feito por solicitação do Governador de Goiás, Fernando Delgado Freire de Castilho. Tomou posse em novembro de 1809, ficando à frente da capitania até agosto de 1820, quando, por motivos de doença, solicitou afastamento. Suicidou-se no Rio de Janeiro quando se preparava para voltar para Portugal.
Saint-Hilaire, que conheceu o Governador em sua viagem a Goiás, o apresentou assim no relato dessa viagem: “desejava ardentemente fazer o bem; mas encontrara por toda a parte a mais desanimadora resistência passiva, resultado da apatia dos habitantes e da indiferença do governo central. Vendo, desde o momento em que chegou, que a província de Goiás não achava mais quase recursos na exploração das minas, sentiu que era necessário dirigir os esforços dos habitantes para a agricultura e o comércio; procurou abrir mercados aos produtos da terra, e tratou de facilitar a navegação do Araguaia e Tocantins”.1
O Padre Silva e Souza confirma a preocupação administrativa do Governador ao comentar as ações de Fernando Delgado Freire de Castilho:
“Em utilidade da capitania tem animado a navegação do Araguaya e Tocantina; e em consequência das suas Representações concedeu El Rei, Nosso Senhor a todos os que de novo se estabeleceram nas margens d’estes rios a isenção de dízimos por dez anos […], além do Direito das Estradas livres nas carregações que se fizerem, também por dez anos […]. Abriu o novo Porto do Rio Grande […] aonde em todo o tempo podem subir as canoas, sem os embaraços que na seca encontravam no Rio do Peixe e Vermelho, podendo chegar até a passagem do mesmo Rio na estrada do Cuyabá. […]. Tem dado as necessárias providências para a fundação do novo Presídio na Foz do Rio Manoel Alvares, […]. Para facilitar a mesma navegação e ministrar-lhe os socorros necessários, fez uma expedição de 80 homens, e alguns casais para a fundação do novo Presidio de Santa Maria no meio do grande deserto despovoado, que existia entre o Porto da Piedade e São João das duas Barras, […]. Procurou estabelecer uma Sociedade ou Companhia mercantil entre esta capitania e a do Grão-Pará […]”.2
No contexto de todos esses projetos administrativos, voltados principalmente para dinamizar o comércio da capitania, é que podemos situar o presente mapa produzido já quase no final de seu governo, o que nos faz pensar num mapa elaborado como “relatório final”. Portanto, foi feito com o objetivo de mostrar, cartograficamente, como ficou a capitania após a administração de Fernando Delgado Freire.
Consoante com seu interesse em estabelecer a comunicação da capitania com o resto da América portuguesa por meio dos rios, encontramos neste mapa o detalhamento e a indicação (nomes) da hidrografia, como também a indicação das novas vilas e presídios fundados pelo Governador.
Leitura paleográfica:
Mappa Geografico da Capitania de Villa Boa de Goyaz combinado com partes de Outros, que denotão as Capitanias de Minas Gerais e Maranhão mandado tirar pello Ill.mo e Ex.mo Snr. Fernando Delgado Freire de Castilho Governador e Capitão General da mesma Capitania no anno de 1819.
Referências:
1 – SAINT-HILAIRE, Auguste. Viagem às nascentes do Rio São Francisco e pela província de Goiás. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1937.
2 – SILVA e SOUZA, Pe. Luiz Antonio. Memória sobre o descobrimento da Capitania de Goyaz.
Fonte – Biblioteca Nacional
Medidas – 63 cm × 44 cm
Data – 1819
Localização – ARC.028,11,010
ArPDF
Setor de Garagens Oficiais SGO Qd. 05 Lote 23 - CEP: 70.610-650 Brasília/DF - Tel.: (61) 3313-5981 arquivopublico@arquivopublico.df.gov.br