Governo do Distrito Federal
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Mapa da capitania de São Paulo

 

Apresentação/Leitura paleográfica

 

 

 

Com a exploração do ouro a partir da década de 1720 nos “sertões” de “Goyaz” e Mato Grosso, somado aos problemas de fronteira com a Espanha, Portugal começa a interessar-se por conhecer melhor a geografia destas regiões, o que, na prática, significa a produção de mapas a partir das melhores técnicas daquele momento histórico. Para a realização dessa tarefa, era fundamental trazer pessoal especializado para a América portuguesa, pois os mapas elaborados pelos sertanistas, despreparados para o levantamento astronômico das Latitudes e Longitudes, não respondiam às necessidades da corte portuguesa, principalmente no embate diplomático com a Espanha que estranhava o avanço demasiado para o Oeste, promovido pelos portugueses na dinâmica de exploração do ouro e pedras preciosas.

 

Nesse contexto, a coroa portuguesa contratou e enviou ao Brasil profissionais formados nas modernas técnicas de cartografia. Eram “técnicos estrangeiros, em grande parte italianos e alemães […] com recomendações de que deveriam limitar-se exclusivamente a levantamentos técnicos e eruditos, evitando que levassem, de volta a seus países, importantes informações econômicas e comerciais”. (1)

 

Entre esses profissionais, está Francisco Tosi Colombina, italiano enviado ao Brasil, de 1743 a 1753, como explorador militar, projetista de estradas, geógrafo e cartógrafo. Prestou serviços a Portugal durante aproximadamente 13 anos. No território de Goiás, esteve a serviço do primeiro Governador desta Província, Dom Marcos de Noronha, o Conde dos Arcos, entre 1749 e 1755. A partir de 1756, volta a Portugal onde desempenha atividades militares e irá exercer outras missões para o governo português. “Sua vinda ao Brasil teria sido justificada pela exigência de situar e delimitar a zona de influência portuguesa com relação à espanhola, com vista à assinatura do conhecido Tratado de Madrid”. (1)

 

O presente mapa, delineado por Francisco Tosi Colombina, “mostra a primeira parte do ‘Caminho de Goyazes’, que se iniciava na Vila de Santos, no paralelo 24 e, neste mapa, seguia até o paralelo 17. Abrangia a região desde a serra do mar até o rio do Peixe, com destaque para a cidade de São Paulo, vilas, fortalezas, arraiais, rios e trilhas. A rede hidrográfica foi desenhada ao longo do caminho, e o relevo foi representado de forma simbólica. No carimbo, no canto superior direito, constava a explicação dos desenhos utilizados para assinalar cidade, vila, fortaleza, arraial e sítio”. (2)

 

 

Leitura paleográfica:

 

Mappa da capitania de S. Paulo, e seu sertaõ, em que se vem os descobertos, que lhe foraõ tomados para Minas Geraes, como tambem o caminho de Goyazes, com todos os seus pouzos, e passagens deleniado por Francisco Tosi Columbina.

Explicação.

 

[desenho de um templo com torre] Cidade. [desenho de uma residência] Villa. [desenho de um circulo vermelho com bandeira] Fortaleza. [desenho de círculo vermelho com cruz] Arraial. [desenho de um circulo amarelo] Citio. [asterisco] denóta que o R.o ao pé do qual se acha, se passa em canoa, porq. os mais ou tém pontes, ou daõ vao. Os pontinhos denotaõ os cam.os, assim como da V.a de S.tos até Meya Ponte e desta p.a os mais Arrayaes. Neste mappa se mostra com individuação, pouco mais, ou menos do q. se comprehende nos cam.os, ou o q. nelles alcança a vista, e são Arrayaes, Sitios, Rios, Ribeirões, e alguns Corrigos, Serras, e Matos, deixando os pequenos, que se chamaõ capões.

Primeira Parte.

 

 

Referências:

 

1 – FONTANA, Ricardo. Francesco Tosi Colombina: explorador, geógrafo, cartógrafo e engenheiro militar italiano no Brasil do séc. XVIII. Brasília, Charbel, 2004.

2 – BARBO, Lenora de Castro; SCHLEE, Andrey Rosenthal. As estradas coloniais na Cartografia Setecentista da Capitania de Goiás, 1º Simpósio Brasileiro de Cartografia Histórica, Parati, 2011. Disponível em: <https://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/simposio/BARBO_LENORA_C_E_SCHLEE_ANDREY_R.pdf>. Acesso em: 27 ago. 2013.

3 – Coleção Morgado de Mateus, p. 429, n. 2477.

 

 

Fonte – Biblioteca Nacional

Medidas – 65 cm × 45,2 cm em folha de 66,5 cm × 48 cm

Data – Século XVIII

Identificação no site BN – cart1033415

Localização – Manuscritos 049,05,008 n.03on

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